
Cara de Um, Focinho de Outro consegue com muito sucesso retomar uma união de fatores que fazem um filme da Pixar ser tão especial. Carisma, mensagem e comédia são elementos que o estúdio de animação sempre busca acertar nos seus filmes e que, ultimamente, não estava sendo tão funcional.
Felizmente, aqui, acertam desde a base. A premissa que une uma ficção científica com a forte crítica ambientalista é responsável por fortalecer uma protagonista imediatamente relacionável. Mabel, apesar de ações impulsivas, nos cativa desde o início.
A personagem também está cercada de personagens carismático. A magia Pixar para criar animais divertidos está de volta, e junto a isso, o roteiro constrói uma comédia excelente, que arranca diversas risadas genuínas do espectador.
Além da forte mensagem ambientalista, o filme também consegue ser político enquanto fala sobre memória e apego. Essa mistura consegue criar uma sustentação forte de argumentos que nos levam para além da narrativa.
Com uma ativista como protagonista, mesmo sendo carismática, ela se mostra bem difícil de se lidar. A mensagem de que, apesar do esforço, não há muito que possamos fazer sozinhos, é um equilíbrio importante, principalmente para servir como um contraponto do drama família da personagem com a avó e o apego à natureza.
O longa não tenta ser sofisticado, tomando rumos inesperados a todo momento. A premissa, juntamente com a loucura de seu terceiro ato e uma montanha-russa de gêneros, nos envolve com um ritmo muito frenético.
Esse fator, somado a comédia e o carisma de todos em tela, faz Cara de Um, Focinho de Outro se destacar entres os filmes mais recentes da Pixar, mesmo que tenha perdido algumas oportunidades de ir além.


