EXTERMÍNIO: A EVOLUÇÃO | REVIEW
Sete meses após os acontecimentos do primeiro filme, a Inglaterra é declarada livre do vírus da raiva. Sob a proteção das forças armadas dos EUA, uma zona segura é estabelecida em Londres, e os primeiros refugiados começam a retornar. Entre eles estão Tammy (Imogen Poots) e Andy (Mackintosh Muggleton), que voltam para casa sem saber que o pior ainda está por vir.
Dirigido por Juan Carlos Fresnadillo ("Intacto") e produzido por Danny Boyle e Alex Garland, "Extermínio: A Evolução" chega com a missão ingrata de expandir um universo que já havia alcançado um final perfeito. E, para surpresa de muitos, ele consegue — com sangue, suor e muito caos.
O Peso da Culpa (Robert Carlyle Brilha)
Robert Carlyle ("Trainspotting", "Once Upon a Time") assume o centro do palco como Don, o pai de Tammy e Andy. O filme abre com uma sequência angustiante no interior da Inglaterra, onde Don e sua esposa Alice (Catherine McCormack) são atacados por um infectado. O que Don faz a seguir é o motor de toda a trama: ele foge, abandonando Alice à própria sorte.
Esse ato de covardia o assombra durante todo o filme, e Carlyle entrega uma atuação visceral de um homem consumido pela culpa e pelo desespero. É o coração pulsante do longa, que transforma um personagem inicialmente antipático em uma figura trágica e fascinante de se observar.
A Quarentena e a Reconstrução
Fresnadillo constrói uma Londres pós-apocalíptica assustadoramente bela. As ruas vazias, a zona de segurança controlada por soldados, o clima de normalidade forçada. O filme expande o universo do original ao mostrar a resposta militar e governamental ao vírus, algo que o primeiro longa apenas sugeria.
Idris Elba interpreta o General Stone, um oficial implacável que toma decisões drásticas para conter o surto. Rose Byrne ("Missão: Impossível – Protocolo Fantasma") vive a Major Scarlet, uma médica do exército tentando manter a humanidade em meio ao caos. O elenco de apoio dá a credibilidade necessária para que a trama não descambe para o exagero.
O Caos se Repete
O grande trunfo de "Extermínio: A Evolução" é a forma como o caos é reaceso. Quando Andy é descoberto como portador assintomático do vírus, a base inteira entra em colapso. A cena da propagação do vírus no abrigo é uma obra-prima de tensão e terror.
A câmera nervosa de Fresnadillo, combinada com a edição cortante de Chris Gill, cria uma sensação de pânico total. É impossível não ficar tenso com a multidão correndo pelos corredores, a chuva torrencial e os infectados emergindo de todos os lados. O diretor sabe exatamente quando usar a câmera lenta para enfatizar o desespero e quando acelerar o ritmo para uma ação implacável.
Ação Sem Trégua e a Cena do Estádio
Se o primeiro filme era um survival horror, esta sequência é um filme de ação desenfreado. A sequência no estádio de Wembley, onde os infectados são encurralados e abatidos por atiradores de elite, é uma das mais memoráveis do cinema de terror moderno.
A fotografia suja e granulada contrasta com a frieza dos militares nos seus fones de ouvido, criando uma crítica social afiada sobre a desumanização em situações de crise. A trilha sonora de John Murphy retorna com o tema icônico "In the House – In a Heartbeat", elevando a tensão a níveis insuportáveis e conectando a obra ao legado do primeiro filme de forma brilhante.
Vale a Pena? – O Veredito
"Extermínio: A Evolução" é uma sequência que honra o original ao mesmo tempo que forja sua própria identidade. Se o filme de Boyle era sobre a solidão e a sobrevivência em um mundo vazio, o de Fresnadillo é sobre a fragilidade da civilização e o monstro que existe dentro de cada um de nós.
Embora não tenha a mesma originalidade e o impacto cru do predecessor, ele compensa com cenas de ação eletrizantes, um elenco afiado e uma direção segura. É um dos raros casos em que uma sequência não envergonha o original e ainda se sustenta por conta própria. Prepare o coração (e o estômago).