OS CARAS MALVADOS 2 | REVIEW

Os mesmos “caras” com mais ação

Depois de conquistar o público e a crítica ao trazer um original cheio de personalidade, a DreamWorks não ia deixar de fazer Os Caras Malvados 2. E, com isso, segue aquela “regra não escrita” do estúdio: quase sempre, suas sequências mantêm o nível — ou até superam — o que veio antes. Aqui, não é diferente.

Voltamos para o universo vibrante e divertido da equipe de animais ladrões e reencontramos toda a química que fez o primeiro filme funcionar tão bem. É impressionante como cada personagem brilha individualmente com seu próprio carisma, mas, quando estão juntos, comandam nossa atenção de um jeito que não deixa espaço para dispersar.

Desta vez, a história não se contenta em repetir a fórmula. Ela cresce, expande o cenário e eleva as apostas. Essa é normalmente a armadilha das continuações: a velha tentativa de fazer “mais e maior” que, na prática, acaba caindo na mesmice. Aqui, por outro lado, mesmo com algumas situações que beiram o exagero e abraçam de vez o “fora da casinha”, o filme mantém sua essência. Ele não se perde no espetáculo, não deixa a trama virar um amontoado de cenas grandiosas sem propósito. Tudo que acontece ainda está ligado ao que move os personagens — suas ambições, dilemas e o senso de família torta que eles formaram. Isso faz com que, mesmo quando as coisas ficam absurdas, a gente compre a jornada.

O aumento na escala vem acompanhado de uma pegada de espionagem e ação muito mais acentuada, com direito a cenas que claramente bebem da fonte de franquias icônicas como Missão: Impossível. É um aceno divertido, que não fica apenas na referência: a produção consegue criar suas próprias reviravoltas, explorar seu estilo de animação de forma criativa e, no final, entregar um clímax que é não só empolgante, mas visualmente marcante. O encerramento deixa aquela sensação boa de ter assistido algo que equilibra bem ação, comédia e estética.

O roteiro também se beneficia da introdução de novos personagens antagonistas. Eles funcionam não só para trazer novidade ao público, mas também para provocar os protagonistas, tirando-os da zona de conforto e forçando interações que não vimos no primeiro longa. Essa injeção de novidade evita que a continuação se apoie apenas na química já estabelecida, mostrando que o estúdio entendeu que precisava criar novos conflitos para manter a energia viva.

No quesito visual, Os Caras Malvados 2 mostra que a DreamWorks não estava brincando quando apostou num estilo de animação mais ousado no primeiro filme. Aqui, eles elevam a proposta: os cenários são mais detalhados, a paleta de cores é vibrante e as cenas de ação ganham camadas e movimento de forma ainda mais fluida e envolvente. É o tipo de trabalho visual que não só chama atenção pela beleza, mas também ajuda a contar a história e amplificar a emoção de cada momento.

No fim, não estamos falando de um dos grandes marcos do estúdio, como o recente Robô Selvagem, mas sim de uma continuação que entrega exatamente o que prometeu: é tão boa quanto o primeiro filme, talvez até um pouco melhor. É redonda, divertida e consciente do que quer ser. E, considerando o jeito como termina, já posso dizer que vou estar pronto para conferir o terceiro capítulo dessa história malvada, divertida e cheia de estilo.

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