Quando "Wicked: Parte I" terminou com o icônico "Defying Gravity", o público ao redor do mundo ficou em êxtase, mas também ansioso. O que viria depois daquele voo poderoso? A espera acabou. "Wicked: Parte II" chega aos cinemas para entregar a conclusão da história da Bruxa do Oeste e da Bruxa Boa do Sul. Sob a direção novamente de Jon M. Chu, o longa consegue superar o primeiro filme? A resposta é simples: sim, e com uma profundidade emocional que poucos blockbusters se atrevem a ter.
Uma Jornada Mais Sombria e Madura
Se a primeira parte era sobre descoberta, amizade e esperança, a segunda parte é sobre consequências. O filme adapta o segundo ato do musical da Broadway, e a mudança de tom é imediata. Elphaba (Cynthia Erivo) está isolada, lutando contra um sistema que a transformou na "vilã" que todos temiam. Glinda (Ariana Grande) está presa em seu próprio sucesso, tendo que navegar pelas águas turvas da política de Oz.
A narrativa não tem pressa para chegar ao final, o que pode incomodar alguns, mas é um acerto para quem aprecia o desenvolvimento de personagens. O roteiro expande momentos que no musical eram apenas sugeridos, dando profundidade a figuras como o Mágico (Jeff Goldblum) e Madame Morrible (Michelle Yeoh). A grande adição é a exploração do arrependimento e da amizade perdida.
Atuações que Definem uma Geração
Cynthia Erivo merece todos os prêmios. Sua performance em "No Good Deed" é de uma intensidade que transcende a tela. Ela não está apenas cantando; ela está sentindo cada frustração, cada golpe. Ariana Grande, por sua vez, silencia de vez os críticos. Sua Glinda é mais complexa do que aparenta, e a atriz entrega uma vulnerabilidade sincera em "For Good", ao lado de Erivo. A química entre as duas é o coração do filme. Jonathan Bailey como Fiyero também tem seu momento de brilhar, adicionando uma camada de ação e tensão à trama. O elenco de apoio, incluindo Peter Dinklage e Bronwyn James, está impecável.
Música, Direção e o Espetáculo Visual
Stephen Schwartz adaptou suas canções para o cinema de forma brilhante. Os números musicais são grandiosos, mas nunca perdem a conexão emocional com os personagens. "No Good Deed" é o ápice, com uma coreografia frenética e uma iluminação expressionista. "For Good" é a antítese, uma canção intimista e poderosa que vai deixar o cinema inteiro em lágrimas.
Visualmente, o filme é um colírio. A direção de arte de Nathan Crowley recria Oz com riqueza de detalhes. O contraste entre o verde escuro e monótono das Terras do Oeste e o verde vibrante da Cidade das Esmeraldas nunca foi tão bem explorado. A fotografia de Alice Brooks utiliza uma paleta de cores que reflete o estado emocional das personagens.
Temas e Reflexões
Mais do que um musical, "Wicked" é uma crítica política. O segundo filme aprofunda a denúncia contra o totalitarismo, a manipulação da mídia e a criação de bodes expiatórios. Em uma era de polarização, a mensagem do filme ressoa mais forte do que nunca: o bem e o mal são construções convenientes para quem está no poder.
Destaques e Pontos de Atenção
Destaques:
- Atuações impecáveis de Cynthia Erivo e Ariana Grande.
- Números musicais antológicos ("No Good Deed", "For Good").
- Direção de arte e figurinos deslumbrantes.
- Profundidade temática e emocional rara em blockbusters.
- Fidelidade ao material original com expansões inteligentes.
Pontos de Atenção:
- Ritmo mais lento na primeira metade do segundo ato.
- Duração total pode ser cansativa para quem não é familiarizado com musicais.
- Algumas subtramas de personagens secundários poderiam ser melhor desenvolvidas.
Veredito
"Wicked: Parte II" é uma conclusão digna e emocionante. Não é apenas um filme; é um evento cinematográfico que celebra a amizade, o sacrifício e a complexidade do ser humano. Prepare os lenços e vá aos cinemas. É imperdível. Nota: 9/10.