PACIFICADOR – 2ª TEMPORADA | REVIEW
O anti-herói mais absurdamente engraçado da DC está de volta. Depois de uma estreia avassaladora e de roubar a cena em O Esquadrão Suicida, Pacificador retorna para sua segunda temporada com a missão de provar que não foi sorte. E, spoiler: não foi. James Gunn entrega uma sequência que expande o universo, aprofunda os personagens e mantém o equilíbrio perfeito entre o humor escatológico e a violência visceral que conquistou o público.
Pacificador é uma daquelas raras séries que melhora a cada episódio. A 2ª temporada é a prova definitiva de que James Gunn sabe exatamente o que está fazendo.
UM NOVO CAPÍTULO PARA CHRISTOPHER SMITH
Se a primeira temporada foi sobre Christopher Smith aprendendo a lidar com um grupo de desajustados (e consigo mesmo), a segunda é sobre as consequências disso. O final da temporada anterior deixou feridas abertas e um novo senso de propósito para o personagem. John Cena está mais confiante do que nunca no papel, entregando camadas de vulnerabilidade que vão muito além do estereótipo do "macho alfa" que ele mesmo ajudou a popularizar.
A dinâmica com a equipe da Muralha (Danielle Brooks, impecável) ganha contornos ainda mais complexos, enquanto a sombra da Amanda Waller (Viola Davis) paira sobre cada missão. A trama consegue ser ao mesmo tempo uma comédia escrachada e um drama de formação, sem jamais perder a identidade.
O ESQUADRÃO ESTÁ DE VOLTA
Se tem uma coisa que Gunn sabe fazer como ninguém é construir um time de personagens que você ama, mesmo quando eles são completos idiotas. Vigilante (Freddie Stroma) continua roubando a cena com seu senso de moralidade distorcido e frases de efeito afiadas. A química entre ele e Pacificador é um dos pontos altos da temporada, rendendo momentos genuinamente hilários e, de forma surpreendente, emocionantes.
O time se expande com caras novas que trazem conflitos e alianças inesperadas. A Justiceiro (Jennifer Holland) e Economos (Steve Agee) ganham mais espaço e subtramas próprias, enriquecendo o universo da série e dando profundidade a um grupo que, na superfície, deveria ser apenas caricato.
HUMOR NA MEDIDA CERTA
Pacificador nunca teve medo de ser politicamente incorreto, e a 2ª temporada eleva isso a um novo patamar. O alvo agora não é apenas o "mundo dos super-heróis", mas também a política, a cultura pop e o próprio público. As referências são certeiras, as piadas viscerais e o timing cômico é de uma precisão cirúrgica. Gunn prova que é possível fazer humor ácido sem perder o coração da história.
É raro encontrar uma série que consegue fazer você rir alto em uma cena e refletir na seguinte. Pacificador faz isso com uma naturalidade impressionante.
AÇÃO E VIOLÊNCIA ESTILIZADAS
As coreografias de luta são um show à parte. Cada golpe, cada tiro e cada explosão são desenhados com uma clareza que falta a muitas produções do gênero. A fotografia sombria e a paleta de cores vibrante criam um contraste visual que hipnotiza. A trilha sonora, como sempre, é um personagem a mais, com clássicos do rock e pop dos anos 80 pontuando os momentos mais épicos.
VEREDITO
Pacificador é, sem dúvida, uma das melhores séries de super-heróis já feitas. A 2ª temporada não apenas mantém o padrão da primeira, como o supera em ambição, profundidade e ousadia. James Gunn prova que seu talento vai muito além dos Guardiões da Galáxia, entregando uma história que é ao mesmo tempo íntima e absurda, violenta e engraçada, superficial e profunda.